A população de comunidades ribeirinhas está sendo chamada a participar de ações de preservação ambiental e de recuperação da história do Rio São Francisco. Em Manga, no Norte de Minas, o projeto Cidadania Ribeirinha – uma iniciativa da Assembleia Legislativa (ALMG), criada com o apoio do deputado Paulo Guedes – encontrou vários personagens e moradores dispostos a serem voluntários nesta jornada. O objetivo minimizar degradação do Rio, combatendo o assoreamento, o uso de agrotóxicos e a pesca predatória entre outros danos.
    
Uma dessas colaboradoras é a professora aposentada, Eva Ramos Martins. Ela mora em Manga desde 1960 e ainda tem viva na memória lembranças bem diferentes do São Francisco.  durante toda a vida, acompanhou a família de pescadores e a abundância de peixes. Ela própria, também pescadora, lembra de suas experiências e de como era fácil pescar naquela época.
    
Hoje, como integrante da Associação dos Pescadores de Manga, Eva acompanha as reclamações dos pescadores sobre a contaminação do rio e a inserção de peixes exóticos, que não são nativos do São Francisco. “A gente vê o rio morrendo e, com isso, encontramos cada vez mais peixes mortos”, lamenta a moradora, ao citar também com saudades os passeios realizados pelo Velho Chico no barco a vapor e na lancha-ônibus, embarcações já desativadas.
        
No Cidadania Ribeirinha, Eva compartilha sua história de vida e as lembranças de um cenário mais próspero. Surge, assim, um intercâmbio de informações entre os participantes que tem como objetivo, segundo o gestor do projeto, Márcio Santos, resgatar a memória da cultura ribeirinha. Nesse sentido, uma das atividades já realizadas pela turma foi a identificação de atividades ligadas ao São Francisco, como os torneios náuticos e as corridas de canoa, realizadas há cerca de 30 anos.
    
Além do resgate da história, outra iniciativa é manter vivas as tradições relacionadas ao artesanato. Essa atividade é promovida pela integrante da Associação pela Valorização da Mulher de Manga (Amavam), Florisvalda José da Silva. Ela conta que aprendeu a fazer crochê aos 13 anos e ainda repassa o aprendizado. “Ensinei para muita gente, já nem lembro para quantas pessoas. Se eu não ensinar, quem vai saber fazer crochê?”, questiona.
    
Reciclagem reduz lixo jogado no rio

Outra iniciativa que tem o objetivo de preservar o São Francisco é realizada pelo aluno do Cidadania Ribeirinha e membro da Associação de Catadores e Recicladores de Manga (Acreman), Pedro Ramos Filho. Ele conta que a associação coleta, por mês, cerca de 2 mil garrafas pets no município. Como resultado, o plástico que iria para o lixo é reutilizado e transformado em 300 vassouras. Tudo é utilizada pela própria comunidade e por órgãos públicos de diversos municípios da região. Feliz com o sucesso das vassouras, o catador apenas lamenta a grande quantidade de plástico que é retirada do rio. "A vassoura é muito resistente, essa é uma coisa que nós aprendemos muito bem. Mas nosso rio está poluído, as garrafas descem e ficam alojadas dentro do capim", diz.
 
Cidadania Ribeirinha – O projeto tem como objetivo a revitalização da Bacia Hidrográfica do Rio São Francisco, a redução da pobreza e da desigualdade nas comunidades ribeirinhas, além da proteção ao patrimônio cultural local. Contempla populações de 12 localidades de quatro dos municípios no Norte de Minas: Itacarambi, Manga, Matias Cardoso e Pedras de Maria da Cruz, municípios escolhidos por apresentarem o menor Índice de Desenvolvimento Humano (IDH) entre as cidades banhadas pelo rio.

Com informações da Ascom /ALMG
Foto: Willian Dias