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Focus: mercado vê Selic terminando 2026 em 13,75% e inflação ancorando perto de 5%

O boletim Focus, levantamento semanal do Banco Central com projeções de bancos, gestoras e consultorias, consolidou ao longo de 2026 um cenário de juros ainda elevados no encerramento do ano. As medianas mais recentes apontam:

  • Selic no fim de 2026: 13,75% ao ano;
  • IPCA de 2026: em torno de 5,00%;
  • PIB de 2026: cerca de 1,9%;
  • Dólar no fim de 2026: na casa de R$ 5,20;
  • 2027: Selic projetada em 12,00% e IPCA perto de 4,3%.

O que a mediana da Selic está dizendo

Uma projeção de 13,75% para o fim do ano abaixo do patamar de partida embute a expectativa de que o ciclo de corte já esteja em curso — mas de forma gradual, não agressiva. Em outras palavras: o mercado enxerga espaço para aliviar, e não pressa para chegar rápido a juro baixo, porque a inflação segue acima do centro da meta.

Para 2027, a mediana de 12,00% reforça a ideia de um afrouxamento espalhado por vários trimestres. Mesmo nesse horizonte, o juro real (descontada a inflação) permaneceria alto para padrões internacionais.

Vista da Praça dos Três Poderes em Brasília
Câmbio comportado e risco fiscal mexem nas medianas do Focus toda semana. Foto: Eric Gaba/Wikimedia Commons (CC BY-SA 3.0).

Inflação perto de 5%: por que ainda incomoda

Um IPCA projetado ao redor de 5% fica acima do centro da meta de inflação e, dependendo do intervalo de tolerância, próximo ou fora do teto. É o principal motivo pelo qual o Focus não projeta cortes mais rápidos: cair juro com inflação ainda desancorada arrisca ter de subir de novo depois. A convergência mais clara aparece só em 2027 e 2028 nas projeções.

Crescimento fraco e câmbio comportado

PIB de 1,9% é um número modesto — seria o primeiro ano abaixo de 2% desde 2020 — e ajuda a explicar por que há espaço para corte: demanda desacelerando reduz pressão de preços. Já o dólar projetado em R$ 5,20 reflete um real que se valorizou no ano; câmbio comportado é aliado do BC, porque tira pressão de itens importados e de combustíveis.

Como usar o Focus sem se enganar

O boletim é uma fotografia de expectativas médias, não uma previsão oficial nem garantia. Ele muda toda semana e costuma errar em pontos de inflexão. Serve para: (1) entender o consenso contra o qual as surpresas serão medidas; (2) acompanhar a direção das revisões (para cima ou para baixo) mais do que o número exato; (3) calibrar expectativa sobre o ritmo — e não a certeza — do ciclo de juros. Decisões financeiras não deveriam se apoiar em uma única mediana de projeção.

O que observar adiante

Revisões do IPCA para baixo abrem caminho para o mercado antecipar mais cortes; revisões para cima fazem o contrário. O comportamento do câmbio, os preços de alimentos e energia e o cenário fiscal são os fatores que mais mexem nessas medianas de uma semana para outra.

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