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Giro da Semana Econômico: os 5 fatos que mexeram com o seu bolso (24 a 30 de outubro)

Mercado reage em pânico à reeleição de Lula, dólar segue acima de R$ 5,40 nesta sexta, IPCA-15 desacelera mas acumula 4,62% em 12 meses, Selic parada em 14,25% até novembro e governo prepara pacote fiscal sob pressão da crise cambial.


1. Mercado reage em pânico à reeleição de Lula: Ibovespa desaba, dólar dispara

Mercado reage em pânico à reeleição de Lula: Ibovespa desaba, dólar dispara
Avenida Paulista, centro financeiro de São Paulo. Foto: Wikimedia Commons (CC BY-SA)

Na segunda-feira (26), primeiro pregão após a confirmação da reeleição de Lula no domingo (25), o mercado financeiro brasileiro reagiu com um dos movimentos mais violentos dos últimos anos. O Ibovespa chegou a ceder mais de 15% no início do pregão, acionando o circuit breaker — mecanismo que suspende as negociações automaticamente diante de quedas abruptas —, e fechou o dia com perda de cerca de 13%. O dólar, por sua vez, disparou mais de 12% na comparação com a sexta-feira anterior, sendo negociado a R$ 5,602 em determinado momento do pregão.

Analistas consultados por veículos econômicos atribuíram o movimento às expectativas frustradas do mercado em relação a uma mudança de rumo na política fiscal. Um consultor da Wiser Asset afirmou que o resultado da eleição pressionou os ativos justamente porque contrariou apostas de parte dos investidores em um ajuste fiscal mais rápido sob um governo diferente. As taxas de juros futuros (DI) também subiram mais de 300 pontos-base no mesmo pregão, reflexo direto da reprecificação de risco.

O movimento atingiu com mais força ações ligadas ao mercado doméstico, como construtoras e varejo, setores mais sensíveis a juros altos e à percepção de risco fiscal. Bancos e exportadoras, que se beneficiam de um dólar mais alto, tiveram reação mista.

É importante contextualizar: reações de curto prazo do mercado a resultados eleitorais são comuns e nem sempre se sustentam nos dias seguintes — mas, neste caso específico, o tamanho do movimento (maior queda da bolsa em um único pregão desde o início da série recente de dados) chamou atenção de analistas, que classificaram o dia como um dos mais voláteis do ano no mercado brasileiro.

O que vem a seguir, naturalmente, é a pergunta mais importante: esse movimento se mantém, ou o mercado estabiliza conforme o governo sinaliza sua equipe econômica para o novo mandato? É o que o próximo item deste giro analisa.

2. Dólar segue acima de R$ 5,40 nesta sexta-feira, e Ibovespa ainda não recupera o tombo

Dólar segue acima de R$ 5,40 nesta sexta-feira, e Ibovespa ainda não recupera o tombo
Avenida Paulista, São Paulo. Foto: Wikimedia Commons (CC BY-SA)

Cinco dias depois do choque inicial, o quadro ainda não se estabilizou por completo. Nesta sexta-feira (30), o dólar seguia cotado acima de R$ 5,40, e o Ibovespa operava em queda, abaixo da marca de 170 mil pontos — um recuo expressivo frente ao patamar anterior à eleição.

A manutenção do dólar em um patamar elevado, mesmo depois do choque inicial de segunda-feira, é o dado mais relevante para quem acompanha o custo de vida: câmbio mais caro pressiona diretamente o preço de combustíveis, eletrônicos, insumos importados e viagens ao exterior, com efeito de repasse que normalmente leva algumas semanas para aparecer nos preços ao consumidor.

Do lado da bolsa, o fato de o Ibovespa não ter recuperado as perdas da segunda-feira sugere que o mercado ainda está em processo de precificar o que vem pela frente — em especial, quem vai ocupar os principais postos da equipe econômica do novo mandato e qual será o tom da política fiscal a partir de 2027. Até que esses sinais fiquem mais claros, a tendência é de volatilidade continuada.

Vale registrar que esse tipo de movimento cambial amplifica a pressão sobre o Banco Central, que já vinha, antes da eleição, sinalizando cautela com o ritmo de cortes da Selic. Um dólar mais caro tende a jogar contra qualquer expectativa de afrouxamento monetário mais rápido, exatamente o tema dos dois próximos itens deste giro: a inflação medida pelo IPCA-15 e a taxa básica de juros.

Para quem pretende viajar, importar produtos ou tem dívidas atreladas ao dólar, o recomendável é acompanhar diariamente a cotação nos próximos dias, já que o cenário ainda está em digestão pelo mercado financeiro.

3. IPCA-15 de outubro desacelera para 0,32%, mas acumulado em 12 meses sobe a 4,62%

IPCA-15 de outubro desacelera para 0,32%, mas acumulado em 12 meses sobe a 4,62%
Sede do Banco Central do Brasil, em Brasília. Foto: Wikimedia Commons (CC BY-SA)

Antes da turbulência eleitoral, o indicador mais recente da inflação brasileira trouxe um dado relativamente positivo. Segundo o IBGE, o IPCA-15 — prévia da inflação oficial — subiu 0,32% em outubro, desacelerando frente aos 0,70% registrados em setembro e vindo abaixo da expectativa de mercado, que apontava para cerca de 0,44%.

Apesar da desaceleração mensal, o indicador acumulado em 12 meses subiu para 4,62%, e o acumulado no ano já soma 4,15% — ambos acima do centro da meta de inflação perseguida pelo Banco Central, o que mantém a pressão sobre a autoridade monetária para seguir cautelosa nos próximos meses.

Entre os grupos pesquisados, alimentação foi o principal vetor de pressão, com alta de 0,88% no mês, enquanto habitação — que inclui energia elétrica residencial — foi o único dos nove grupos a fechar outubro em território negativo, com queda de 0,10%. Na análise regional, dez das onze áreas pesquisadas pelo IBGE registraram alta de preços em outubro, com Belém liderando a inflação local.

Para o consumidor, a leitura prática é mista: o ritmo mensal de alta desacelerou, o que é uma notícia positiva, mas o acumulado em 12 meses segue alto o suficiente para manter o poder de compra pressionado, especialmente em itens de alimentação — que pesam proporcionalmente mais no orçamento das famílias de renda mais baixa.

Esse quadro de inflação ainda elevada, somado à turbulência cambial desta semana, reduz o espaço de manobra do Banco Central para cortar juros no curto prazo — tema do próximo item deste giro.

4. Selic segue em 14,25%: próxima decisão do Copom só em 3 e 4 de novembro

Selic segue em 14,25%: próxima decisão do Copom só em 3 e 4 de novembro
Sede do Banco Central do Brasil, em Brasília. Foto: Wikimedia Commons (CC BY-SA)

Diferentemente do que ocorre na maioria dos meses, outubro de 2026 não teve reunião do Comitê de Política Monetária (Copom) — o calendário oficial do Banco Central prevê apenas oito encontros no ano, e outubro ficou de fora. A taxa básica de juros, a Selic, segue em 14,25% ao ano, seu menor nível em 2026 depois de três cortes consecutivos de 0,25 ponto percentual nas reuniões de março, abril e junho.

A próxima decisão sobre os juros está marcada para os dias 3 e 4 de novembro — ou seja, a primeira reunião do Copom depois da reeleição de Lula e de toda a turbulência cambial registrada nesta semana. Isso coloca a decisão de novembro sob holofotes redobrados: o mercado vai observar não só o número em si, mas principalmente o tom do comunicado, em busca de sinais sobre como o Banco Central avalia o cenário fiscal e cambial do pós-eleição.

Antes da eleição, o boletim Focus — pesquisa semanal do Banco Central com economistas do mercado — já havia reduzido a expectativa da Selic para o fim de 2026, de 14% para 13,75%, sinalizando que parte do mercado apostava em cortes adicionais ainda neste ano. Com o choque cambial desta semana, no entanto, cresce a possibilidade de o Banco Central optar por manter a taxa estável por mais tempo, priorizando a estabilidade do câmbio e da inflação sobre o estímulo à atividade econômica.

Para quem tem crédito, financiamento ou está pensando em investir em renda fixa, a decisão de novembro deve servir como um termômetro importante do que esperar para os primeiros meses do novo mandato presidencial.

5. Governo prepara pacote fiscal sob pressão da crise cambial da semana

Governo prepara pacote fiscal sob pressão da crise cambial da semana
Congresso Nacional, em Brasília. Foto: Eurico Zimbres (CC BY-SA 2.5)

Fecha o giro econômico da semana o tema que conecta praticamente todos os outros: o pacote fiscal que o governo já vinha preparando para enviar ao Congresso, e que ganhou urgência redobrada depois da reação do mercado à reeleição de Lula. Segundo apuração de veículos de Brasília, a equipe econômica e a articulação política do governo discutem medidas de ajuste nas contas públicas como parte da pauta que o presidente já alinhou com os presidentes do Senado e da Câmara para a reta final do ano legislativo.

O timing é delicado: depois de um pregão de pânico na segunda-feira e de um dólar que segue pressionado nesta sexta, o pacote fiscal deixa de ser apenas uma peça de articulação política e passa a ser visto pelo mercado como um teste de credibilidade — a prova de que o governo reeleito está disposto a sinalizar compromisso com as contas públicas, mesmo em um cenário eleitoral que, à primeira vista, não exigiria pressa.

Investidores e analistas vão observar, nas próximas semanas, três sinais principais: quem assume os principais postos da equipe econômica para o novo mandato, qual o desenho concreto do pacote fiscal (se inclui corte de gastos, aumento de arrecadação ou as duas coisas) e o tom da comunicação do Banco Central na decisão do Copom de 3 e 4 de novembro.

Enquanto esses sinais não ficam claros, a expectativa de analistas é de volatilidade continuada no câmbio e na bolsa — o que reforça a importância de acompanhar os desdobramentos dessa pauta nas próximas semanas. O Portal Paulo Guedes Brasil segue cobrindo cada passo dessa negociação.

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