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IPCA-15 de julho surpreende para baixo e reforça aposta em corte gradual da Selic

Prédio da Bolsa de Valores de São Paulo
Foto: Rafael Matsunaga / Wikimedia Commons (CC BY 2.0) — Foto ilustrativa

A prévia da inflação de julho trouxe um alívio maior do que o mercado esperava. O IPCA-15, indicador que antecipa a tendência do IPCA oficial, subiu apenas 0,06% no mês, bem abaixo das apostas dos analistas — que já vinham reduzindo suas projeções, mas ainda não tanto quanto o resultado divulgado mostrou. A desaceleração foi puxada principalmente pela queda no preço dos alimentos, um dos itens mais sensíveis ao bolso do consumidor brasileiro e um dos que mais pesam no cálculo do índice.

O resultado tem efeito imediato nas apostas do mercado financeiro. A taxa de inflação acumulada em 12 meses se aproxima cada vez mais da meta perseguida pelo Banco Central, e os juros futuros (contratos de DI) já reagiram em queda ao longo de toda a curva nesta terça-feira, o que reflete a leitura de que a autoridade monetária ganhou mais espaço para continuar cortando a Selic de forma gradual, sem precisar recuar da estratégia por causa de uma eventual reaceleração da inflação.

Ainda assim, o Boletim Focus — pesquisa semanal que consolida as projeções de mais de cem instituições financeiras — mantém a Selic projetada em 14% ao ano para o fechamento de 2026, sinal de que o mercado não está apostando em um corte muito mais agressivo do que o já vinha sendo esperado, apenas em mais confiança de que o ritmo gradual de queda dos juros pode continuar sem sobressaltos. A projeção de crescimento do PIB para o ano, por outro lado, teve um ajuste levemente para baixo no mesmo boletim, mantendo o cenário de expansão modesta da economia brasileira em 2026.

Na Bolsa, o Ibovespa reagiu em alta nesta terça-feira, evidência de que investidores leram o dado de inflação como notícia positiva — inflação mais baixa hoje tende a significar juros mais baixos amanhã, o que geralmente favorece ativos de renda variável e alonga o apetite por risco. O dólar, por sua vez, teve reação mais discreta, avançando de forma marginal frente ao real, num movimento que analistas atribuem mais ao cenário externo — como o novo pacote de tarifas dos Estados Unidos e a postura do Federal Reserve — do que propriamente ao resultado da inflação doméstica.

Para o consumidor final, o dado de hoje reforça uma tendência que já vinha sendo sentida no dia a dia: o ritmo de alta de preços de itens básicos, sobretudo alimentos, perdeu força nas últimas semanas. Isso não significa queda de preços de forma generalizada, mas sim uma desaceleração no ritmo de reajuste, o que tende a aliviar um pouco a pressão no orçamento das famílias enquanto os juros seguem em patamar historicamente elevado.

O próximo grande termômetro para confirmar (ou não) essa trajetória de queda gradual da inflação será o IPCA cheio de julho, a ser divulgado nas primeiras semanas de agosto, seguido pela decisão do Copom sobre a Selic, que deve levar em conta justamente esse conjunto de sinais — inflação em desaceleração, mercado de trabalho ainda aquecido e cenário externo incerto — para calibrar o próximo passo da política monetária brasileira.

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