Repetidos apagões registrados em Montes Claros durante o primeiro semestre deste ano motivaram a realização de uma audiência pública da Comissão de Minas e Energia da Assembleia Legislativa (ALMG), nessa segunda-feira (19/8/13). A reunião, que lotou a Câmara Municipal da cidade, foi requerida pelo deputado Tadeu Martins Leite (PMDB) e contou com a participação do deputado Paulo Guedes (PT), de vereadores e outras lideranças políticas da região. Eles pediram melhorias na qualidade dos serviços prestados pela empresa e agilidade na solução dos problemas apresentados.
    
De acordo com a própria Cemig, de fato a quantidade de interrupções de eletricidade aumentou em relação ao mesmo período de 2012. O coordenador da estatal, Luciano Carvalho, explicou que isso ocorreu principalmente devido à queima de um transformador de 25 Mega Volt Amperes (MVA) no dia 12 de março, o que provocou a perda de 25% da capacidade de energia disponível para a cidade. Além disso, entre janeiro e abriu houve desligamentos acidentais na rede de distribuição subterrânea.
    
Carvalho anunciou o plano de investimentos da Cemig para o Norte de Minas, no valor aproximado  de R$ 70 milhões. Porém, a previsão ainda é para 2016. Para os participantes da audiência, diante da demanda crescente, é urgente que a estatal faça investimentos para ampliar sua capacidade de fornecimento de energia na região.
    
A agilidade no atendimento aos consumidores também foi criticada durante a reunião. Cidadãos e vereadores questionaram a estrutura da empresa para atender às reclamações. Apesar de manter pelo menos um escritório nas 774 cidades que atende, a Cemig estaria falhando na prestação de seus serviços. Para o coordenador da Regional Norte do Sindieletro, Everaldo Rodrigues de Oliveira, a empresa prioriza a maximização dos lucros, colocando o pagamento de dividendos aos acionistas acima dos objetivos de prestação de serviços à população.
    
Prova disso, segundo ele, é o processo de terceirização na empresa, que já teve 18 mil funcionários e atualmente tem cerca de 7 mil. Além de precarizar o atendimento, isso tem provocado o aumento no número de acidentes. O coordenador disse que um trabalhador morre em acidente de trabalho a cada 45 dias. “A vida do trabalhador tem pouca importância para a empresa neste momento que ela está vivendo, no qual a Andrade Gutierrez (detentora de 14,4% das ações da Cemig) dita a sua política de investimentos”, denunciou.

O deputado Paulo Guedes afirmou que o problema da má qualidade dos serviços da Cemig é vivido em todas as cidades do Norte de Minas, e tem piorado a cada dia. Segundo ele, há 20 anos, nas comemorações de aniversário das cidades da região, a empresa dava conta de manter a eletricidade. “Hoje os prefeitos precisam contratar geradores, senão a energia cai”, reclamou. O parlamentar cobrou também a ligação de eletricidade nos poços artesianos da região, já perfurados e equipados, mas inoperantes devido à falta de luz. Pediu também providências com relação a uma fabriqueta de farinha na reserva indígena dos xacriabás. Guedes disse que a energia elétrica está a 150 metros de lá, mas a Cemig não faz a ligação, apesar de suas insistentes cobranças.
    
 
Com informações da Ascom/ALMG
Foto: Alair Vieira