Deputado é ferrenho defensor do “trem do sertão”, transporte de passageiros que deixou saudades no Norte de Minas.

O anúncio da presidenta Dilma Rousseff de que seu governo investirá pesado na expansão da malha ferroviária é um alento a um antigo pleito do deputado Paulo Guedes, que pede a reativação da ferrovia Belo Horizonte-Salvador. A ferrovia, que inclui ainda o ramal Corinto-Pirapora, percorre quase 1.000 km, ligando a capital mineira a Sete Lagoas, Montes Claros, Janaúba e Monte Azul.

Para Paulo Guedes, o fim do transporte de passageiros no trecho Montes Claros-Monte Azul, determinado pelo governo tucano do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso foi um golpe sofrido social e economicamente pela região. Segundo o parlamentar, quando parou de circular em maio de 1996, entregue que foi para a iniciativa privada pelo tucanato, o trem representava transporte barato e seguro para a população menos favorecida. Além disso, movimentava uma grande cadeia produtiva ao longo do trecho que percorria até chegar a Monte Azul.

“Essa decisão da presidenta Dilma, de ampliar o transporte ferroviário, nos traz a esperança de vermos a volta do ´trem do sertão´, que tanta falta faz à nossa região, tanto do ponto de vista social como econômico. Há ainda o fato do trem fazer parte do imaginário do nosso povo e estar intimamente ligado à cultura e à tradição norte-mineira”, destacou. Paulo Guedes já fez várias gestões junto às instâncias do governo federal em favor da reativação da ferrovia Belo Horizonte-Salvador.

Dilma Rousseff informou que o governo está realizando investimentos no setor ferroviário para promover interligação ferroviária entre todas as regiões do país. Ela é de opinião que o uso de ferrovias é uma alternativa para transporte de longa distância. Segundo a presidenta, em 17 anos, entre 1986 e 2002, foram construídos apenas 215 km de linhas férreas. Nos últimos 9 anos, foram entregues 753 km. A implantação da Transnordestina (Petrolina-Salgueiro-Missão Velha) e a ligação Brasília-Unaí-Pirapora permanecem constantes nos planos federais de desenvolvimento ferroviário.

“Meu governo tem absoluta convicção da importância das ferrovias. Por isso, temos, hoje, mais de 3 mil km de ferrovias em construção. Estamos em um período de retomada dos investimentos no setor”, anunciou Dilma Rousseff . Além dos trechos em obras, foram concluídos projetos para mais de 3,7 mil km e estão em fase de elaboração estudos e projetos de ferrovias que somam mais 3,5 mil km. Segundo ela, com a ampliação da malha que está sendo promovida, haverá uma participação muito mais efetiva das ferrovias na matriz de transportes do Brasil.

O trem de passageiros conhecido como “trem do sertão” partia de Belo Horizonte para Monte Azul, na extremidade da lendária Linha do Centro, da Estrada de Ferro Central do Brasil, passando antes por Sete Lagoas, Corinto e Montes Claros. Ao chegar em Monte Azul, os passageiros faziam baldeação para a linha da antiga Viação Férrea Federal Leste Brasileiro (VFFLB) e seguiam por ela até Salvador (BA).

Consequências danosas – Após a encampação da Central do Brasil pela RFFSA, a Linha do Centro passou para o controle desta última, em suas Divisões Operacionais tais como 6ª Divisão Central, 14ª Divisão Centro Norte (parte métrica da 6ª Divisão) e finalmente, Regional Belo Horizonte-SR2. Em Corinto, o trem se dividia e uma parte da composição formava o Trem de Pirapora, passando por Lassance, Pirapora e Buritizeiro.

Com o tempo e a decadência da ferrovia, o trem foi diminuindo cada vez mais seu percurso, até que, nos últimos anos, se resumia ao trecho entre Montes Claros e Monte Azul. Movimentava a economia das pequenas cidades pelas quais passava. A privatização da Rede Ferroviária Federal Sociedade Anônima (RFFSA), crime cometido por FHC quando ainda havia passageiros lotando as composições, foi um duro golpe na frágil economia da região, movimentada por ele.