
Quase sete anos depois da proposta inicial, a reforma tributária sobre o consumo entrou, a partir de 3 de agosto, na sua primeira fase de teste em escala real. Desde essa data, o preenchimento dos novos tributos IBS (Imposto sobre Bens e Serviços) e CBS (Contribuição sobre Bens e Serviços) passou a ser obrigatório nas notas fiscais eletrônicas emitidas no país, e o sistema da Receita Federal já rejeita automaticamente documentos que chegam incompletos.
O que muda na prática
Até agora, empresas vinham operando num período de transição mais suave, com preenchimento opcional dos novos campos na NF-e. A obrigatoriedade marca o início de uma fase mais dura de adaptação: toda nota fiscal emitida a partir de agosto precisa trazer corretamente os valores de IBS e CBS, sob risco de rejeição automática pelo sistema — o que, na prática, pode travar a emissão de notas para empresas que ainda não ajustaram seus sistemas de faturamento.
Por que 2026 é considerado o ano mais difícil
O Instituto Brasileiro de Planejamento e Tributação (IBPT) já vinha alertando que 2026 seria o ano de maior custo de conformidade fiscal da história do país — justamente por coincidir com essa primeira fase real de testes da reforma aprovada em dezembro de 2023, pela Emenda Constitucional 132, e regulamentada pela Lei Complementar 214, de 2025. A transição completa para o novo sistema tributário só deve se completar em 2033, mas é neste ano que boa parte das empresas brasileiras vai sentir o peso de operar dois sistemas em paralelo — o antigo e o novo — enquanto os ajustes de sistema, treinamento de equipes fiscais e revisão de contratos avançam.
O objetivo por trás da reforma
A promessa oficial da reforma não é reduzir a carga tributária total do país, mas simplificar um sistema historicamente reconhecido como um dos mais complexos do mundo — hoje o Brasil reúne uma combinação pouco comum de carga tributária elevada, baixa eficiência arrecadatória e altíssimo custo burocrático de conformidade. A expectativa do governo é que, com a unificação de tributos sobre consumo, o ambiente de negócios se torne mais previsível a médio prazo, ainda que o custo de adaptação nos primeiros anos seja alto.
O que observar daqui pra frente
Nos próximos meses, o principal ponto de atenção é a taxa de rejeição de notas fiscais no novo sistema e o quanto isso vai gerar atrito operacional para pequenas e médias empresas, que costumam ter menos estrutura de TI para se adaptar rapidamente. Também vale acompanhar se o governo anuncia algum tipo de tolerância adicional para o período de adaptação, dado o histórico de reformas tributárias brasileiras de precisarem de ajustes de calendário ao longo do caminho. Este conteúdo é educativo e não constitui aconselhamento tributário individual — consulte um contador para o seu caso específico.