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Santander projeta o Rio com o pior crescimento do país em 2026, mesmo com PIB puxado por petróleo

Sede da Petrobras no Rio de Janeiro
Foto: Marinelson Almeida Silva / Wikimedia Commons (CC BY 2.0)

O Rio de Janeiro viveu dois cenários opostos na mesma semana. De um lado, os dados do primeiro trimestre de 2026 confirmaram que o estado segue surfando a onda do petróleo: o PIB fluminense cresceu 4,2% no período, puxado pela indústria extrativa, que respondeu por boa parte da alta e viu a produção de óleo e gás bater recorde nacional. De outro, um relatório do Santander Brasil Macroeconomics jogou um balde de água fria nas expectativas para o ano fechado: a projeção de crescimento do Rio para 2026 é de apenas 1,09%, a menor entre os 27 estados brasileiros.

A explicação para o contraste está na composição da economia fluminense. A indústria, puxada pelo petróleo e gás, representa cerca de 38% do PIB estadual e cresceu quase 10% no primeiro trimestre, com a produção extrativa avançando mais de 13% na comparação anual. Só que essa força industrial convive com um setor de serviços que responde por aproximadamente 87% da economia do estado — e é justamente aí que o Santander enxerga a maior fragilidade: a desaceleração do setor de serviços, mais sensível a juros altos e menos dinâmico que a indústria extrativa, deve pesar mais no resultado final do ano do que o bom desempenho pontual do petróleo.

A projeção de 1,09% fica bem abaixo da média nacional esperada para 2026, de 1,8%, o que colocaria o Rio na lanterna do ranking de crescimento estadual justamente num ano em que o estado também vive uma eleição para governador em outubro, com a economia sendo um dos temas mais sensíveis da campanha.

Nem todo mundo concorda com o cenário mais pessimista, porém. A Firjan, federação que reúne a indústria fluminense, mantém uma leitura mais otimista e projeta crescimento de 3,4% para o Rio em 2026 — quase o triplo da estimativa do Santander —, apostando justamente na continuidade da expansão da indústria extrativa como motor principal da economia estadual pelo resto do ano. A divergência entre as duas projeções ilustra bem o momento de incerteza: dependendo de qual peso se dá ao desempenho do petróleo versus o desempenho dos serviços, o resultado de 2026 para o Rio pode variar de moderado a fraco.

Para quem acompanha a economia fluminense de perto, a lição prática é que o Rio de Janeiro segue sendo, ao mesmo tempo, o estado mais dependente do desempenho de um único setor entre os grandes estados brasileiros e um dos que mais sente na pele qualquer oscilação no preço do petróleo ou no ritmo de investimentos da Petrobras e das operadoras da Bacia de Campos e do pré-sal. Quando o petróleo vai bem, o Rio sente rápido; quando o resto da economia trava, o estado também sente rápido — só que dessa vez, na leitura do Santander, o segundo efeito deve pesar mais que o primeiro.

Resta acompanhar, nos próximos meses, se os indicadores de emprego, arrecadação e investimento no estado vão confirmar a leitura mais cautelosa do Santander ou a mais otimista da Firjan. Os próximos boletins trimestrais do PIB estadual, esperados ao longo do segundo semestre, devem ajudar a decidir esse impasse — e vão pesar diretamente no debate econômico da campanha ao governo do Rio, que se intensifica a partir de agosto.

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