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Paraguai cresce muito acima da média da América Latina puxado por carga tributária baixa e energia barata

Skyline de Assuncao, capital do Paraguai, simbolo do crescimento economico do pais
Foto: Reproducao/Correio Braziliense

Enquanto a maior parte da América Latina segue com crescimento econômico modesto, o Paraguai desponta como uma das exceções mais chamativas da região. O Banco Central paraguaio registrou expansão de 6,6% do PIB em 2025, resultado que consolida uma média de crescimento de 5,5% ao ano nos últimos três exercícios — um ritmo muito superior ao observado em vizinhos como Brasil, Argentina e Bolívia. Para 2026, o Fundo Monetário Internacional (FMI) projeta um crescimento de 3,7% para o país, número que, mesmo representando uma desaceleração em relação ao pico recente, ainda supera com folga a média projetada para a América do Sul.

O fenômeno vem sendo chamado por economistas e investidores de “boom paraguaio”, e já aparece com frequência crescente em relatórios de bancos de investimento e gestoras internacionais que buscam diversificar exposição na região para além dos mercados tradicionais de Brasil e México.

Carga tributária baixa como principal vantagem competitiva

O fator mais citado para explicar o desempenho paraguaio é a carga tributária do país, uma das menores da América Latina. Segundo levantamentos recentes, a carga tributária paraguaia gira em torno de 14% do PIB, bem abaixo da média latino-americana, estimada em 22%, e muito distante da média dos países desenvolvidos que compõem a OCDE, próxima de 34%.

Na prática, o sistema tributário paraguaio opera com alíquotas fixas e baixas: 10% de imposto de renda para pessoas físicas, 10% de IVA (o equivalente ao ICMS/IPI brasileiro) e 10% de imposto sobre a renda corporativa. Para efeito de comparação, a alíquota efetiva de tributação sobre empresas no Brasil chega a 34% — mais de três vezes o percentual cobrado das companhias paraguaias. Esse diferencial tem funcionado como um imã para empresas de diversos setores, incluindo companhias brasileiras que têm buscado o país vizinho para reduzir custos operacionais e tributários, em um movimento que preocupa parte do empresariado nacional pelo risco de fuga de investimentos.

Além da tributação, o custo de energia elétrica no Paraguai é outro diferencial relevante. O país é um dos maiores exportadores de energia hidrelétrica do mundo, graças à participação nas usinas binacionais de Itaipu (com o Brasil) e Yacyretá (com a Argentina), o que garante tarifas de energia significativamente mais baratas do que as praticadas nos países vizinhos — um fator decisivo para atrair indústrias eletrointensivas e centros de dados.

Investimentos estrangeiros e geração de empregos

O apetite de investidores internacionais pelo Paraguai também tem se refletido nos números de Investimento Estrangeiro Direto (IED). Em 2024, o país recebeu US$ 931 milhões em IED, cerca de R$ 4,8 bilhões na cotação atual, um avanço de 15% em relação ao ano anterior. Entre os projetos mais emblemáticos está a fábrica de celulose da Paracel, que prevê investimentos superiores a US$ 4 bilhões (R$ 20,8 bilhões) ao longo de vários anos, incluindo a construção de um porto fluvial privado e a expansão de rodovias de acesso. Segundo estimativas do setor, o empreendimento deve gerar mais de 40 mil empregos indiretos ao longo de sua implantação e operação.

A infraestrutura fluvial paraguaia também tem recebido aportes relevantes: uma parceria público-privada voltada à hidrovia do país prevê investimentos de US$ 500 milhões (R$ 2,6 bilhões) e deve elevar a capacidade de transporte de carga para mais de 25 milhões de toneladas por ano. O Paraguai já conta hoje com a terceira maior frota fluvial do mundo, um ativo logístico estratégico para um país sem litoral marítimo, mas com acesso privilegiado à hidrovia Paraguai-Paraná.

O crescimento econômico também tem se traduzido em avanços sociais. Nas últimas duas décadas, a pobreza no país caiu mais da metade, chegando a 16% da população, enquanto a pobreza extrema atingiu o mínimo histórico de 2,4%. Somente nos últimos dois anos, cerca de 300 mil paraguaios deixaram a linha de pobreza, e o país registrou em 2025 a menor taxa de desemprego dos últimos 13 anos. Mais de 260 mil empregos foram criados no país no último triênio, em uma força de trabalho estimada em 3,4 milhões de pessoas — ainda que a informalidade continue elevada, atingindo seis em cada dez trabalhadores.

O quadro, no entanto, não é isento de desafios. O Paraguai mantém um coeficiente de Gini de 0,45, considerado alto para os padrões da região, e a pobreza rural chega a 40% da população no campo, contra 15% nas zonas urbanas — uma desigualdade que convive com o discurso de boom econômico e que segue como um dos principais pontos de atenção para o desenvolvimento de longo prazo do país. Ainda assim, a combinação de tributação baixa, energia competitiva e atração maciça de investimentos consolidou o Paraguai como um dos casos mais observados por investidores que buscam alternativas de crescimento na América Latina em 2026.

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