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Boletim Focus mantém Selic em 14% ao ano para 2026 pela quinta semana seguida

Sede do Banco Central do Brasil em Brasilia
Foto: Divulgacao/Banco Central do Brasil

O Boletim Focus divulgado pelo Banco Central na segunda-feira, 27 de julho de 2026, manteve a projeção do mercado financeiro para a taxa Selic no fim de 2026 em 14% ao ano, patamar que já se sustenta estável pela quinta semana consecutiva. O número representa um novo teto na trajetória de revisões para cima que vem sendo observada ao longo do ano: em junho, a mediana das projeções coletadas pelo Banco Central chegou a apontar 13,50% ao ano para o encerramento de 2026, mas as sucessivas revisões elevaram a expectativa até o patamar atual, hoje considerado o cenário-base pela maioria das instituições financeiras consultadas pelo relatório.

O Boletim Focus é uma pesquisa semanal feita pelo Banco Central com dezenas de instituições financeiras — bancos, gestoras de recursos e consultorias econômicas — para consolidar a mediana das expectativas do mercado sobre os principais indicadores macroeconômicos do país. O relatório é um dos principais termômetros usados pelo Comitê de Política Monetária (Copom) para calibrar suas decisões sobre a taxa básica de juros.

Inflação recua pela quarta semana seguida, mas ainda pressiona

Apesar da estabilidade da Selic, o boletim trouxe uma notícia mais positiva no front da inflação. A projeção para o IPCA de 2026 caiu de 5,15% para 5,12%, marcando a quarta redução semanal consecutiva nas expectativas dos analistas. O movimento sugere que o processo de desaceleração da inflação, ainda que lento, começa a ganhar alguma tração depois de um primeiro semestre marcado por sucessivas revisões para cima.

Para os anos seguintes, no entanto, o cenário é misto. A projeção para o IPCA de 2027 subiu de 4,20% para 4,22%, e a de 2028 avançou de 3,78% para 3,80%, registrando a segunda alta consecutiva. Já a expectativa para 2029 permanece estável em 3,50% há 47 semanas — um sinal de que o mercado ainda não vê motivos para alterar sua visão de convergência da inflação à meta no longo prazo, mesmo em meio às oscilações de curto prazo.

A meta de inflação perseguida pelo Banco Central é de 3%, com intervalo de tolerância de 1,5 ponto percentual para cima ou para baixo — ou seja, entre 1,5% e 4,5% ao ano. As projeções atuais para 2026 seguem, portanto, acima do teto da meta, o que ajuda a explicar por que o Copom tem mantido uma postura cautelosa e resistido a qualquer sinalização de corte de juros no curto prazo.

Selic em 14% e o custo do crédito para famílias e empresas

A manutenção da Selic projetada em 14% ao ano para o fim de 2026 mantém o Brasil em um dos ciclos de juros mais restritivos dos últimos anos. Na prática, taxas básicas nesse patamar se traduzem em custo de crédito elevado para famílias e empresas, encarecendo financiamentos, cartão de crédito rotativo, cheque especial e linhas de capital de giro — um fator que já vem sendo citado por representantes da indústria, como a própria Firjan no caso do Rio de Janeiro, como um dos motivos para o desempenho mais fraco de setores sensíveis a juros, como a indústria de transformação.

Por outro lado, juros altos tendem a beneficiar aplicações de renda fixa, com títulos públicos e privados pós-fixados oferecendo remuneração mais atrativa em termos reais, especialmente diante da queda recente da inflação projetada. Esse cenário tem sustentado um fluxo relevante de recursos para fundos e títulos indexados ao CDI e à própria Selic, em detrimento de aplicações de maior risco, como ações.

O boletim também trouxe estabilidade nas projeções para o câmbio e o crescimento econômico. A expectativa para o dólar no fim de 2026 permanece em R$ 5,20, estável há seis semanas, enquanto a estimativa para 2027 subiu ligeiramente de R$ 5,28 para R$ 5,29. Já a projeção para o crescimento do PIB brasileiro em 2026 segue em torno de 1,99%, patamar que reflete uma expansão moderada da economia, compatível com um ambiente de juros elevados e crédito mais restritivo.

Para as próximas semanas, o mercado deve continuar monitorando de perto os dados de atividade econômica e o comportamento dos preços de alimentos e serviços, que são os principais componentes de pressão sobre o IPCA no curto prazo. Qualquer sinal de reversão mais consistente da inflação pode abrir espaço para o início de um ciclo de flexibilização monetária ainda em 2027, segundo a leitura de parte dos analistas consultados pelo Boletim Focus.

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