Portal editorial independente sobre economia, mercado e política econômica. Este site não possui vínculo oficial com o economista Paulo Guedes. Saiba mais

PIB industrial do Rio de Janeiro avança 4,2% no 1º trimestre de 2026, puxado por petróleo e gás

Plataforma de petróleo e gás no litoral do Rio de Janeiro
Foto: Divulgação/Diário do Rio de Janeiro

O Produto Interno Bruto do estado do Rio de Janeiro cresceu 4,2% no primeiro trimestre de 2026 na comparação com o mesmo período do ano anterior, segundo levantamento da Federação das Indústrias do Estado do Rio de Janeiro (Firjan). O resultado foi puxado principalmente pela indústria extrativa, que registrou produção recorde de petróleo e gás natural no período, consolidando o protagonismo fluminense no setor energético nacional.

A indústria responde por 38% da economia do estado e avançou 9,8% no trimestre, um desempenho expressivo que contrasta com a desaceleração observada em outros setores. Já o setor de serviços, que representa cerca de 51% do PIB fluminense, cresceu apenas 0,3% no mesmo intervalo, evidenciando um crescimento estadual concentrado e pouco distribuído entre as diferentes cadeias produtivas.

Extração de petróleo e gás bate recorde nacional

O destaque absoluto do trimestre foi a indústria extrativa, que avançou 13,1% ante o mesmo período de 2025. O resultado reflete a produção recorde de petróleo e gás natural no Brasil, com o Rio de Janeiro concentrando 87,3% de todo o volume extraído no país — uma fatia que reforça a posição do estado como o principal polo de exploração de óleo e gás do território nacional, sustentado majoritariamente pelos campos do pré-sal na Bacia de Santos e na Bacia de Campos.

Esse desempenho não é isolado. Nos últimos anos, o aumento do número de plataformas em operação, a entrada de novos poços em produção e os investimentos continuados da Petrobras e de operadoras estrangeiras na costa fluminense têm sustentado uma trajetória de expansão da produção offshore. O resultado do primeiro trimestre de 2026 confirma essa tendência e ajuda a explicar por que a indústria extrativa segue como o principal motor da economia estadual, à frente de segmentos tradicionalmente mais diversificados como a indústria de transformação.

A construção civil também contribuiu positivamente, com alta de 2,6% no trimestre. O setor foi sustentado pela continuidade de investimentos em infraestrutura e resultou na criação de 7,4 mil postos de trabalho no período — um sinal de que o ciclo de obras ligado à cadeia de óleo e gás, portos e logística continua gerando empregos formais no estado.

Em contrapartida, a indústria de transformação teve queda de 1,4% no trimestre. Analistas atribuem o resultado negativo aos juros elevados praticados no país, que encarecem o crédito para capital de giro e investimento, além do aumento dos custos de energia, frete e insumos industriais — pressão agravada pelas tensões geopolíticas no Oriente Médio, que impactam o preço internacional de commodities e combustíveis usados como insumo por parte da indústria de bens de consumo e de base.

Firjan projeta alta de 3,4% no PIB estadual em 2026

Para o fechamento de 2026, a Firjan projeta um crescimento de 3,4% no PIB do estado do Rio de Janeiro. A projeção é sustentada, principalmente, pela expectativa de manutenção do ritmo forte de extração de petróleo e gás ao longo do ano, somada à continuidade dos investimentos em infraestrutura que vêm impulsionando a construção civil.

Caso se confirme, o número colocaria o Rio de Janeiro entre os estados com crescimento acima da média nacional em 2026, invertendo um histórico recente em que a economia fluminense cresceu, em diversos anos, abaixo do restante do país. A dependência do resultado em relação ao desempenho de um único setor, no entanto, é um ponto de atenção destacado por economistas: qualquer oscilação no preço internacional do petróleo, mudança regulatória no setor de óleo e gás ou atraso em cronogramas de produção das plataformas pode alterar significativamente a trajetória projetada.

Também chama atenção o desempenho fraco do setor de serviços, que responde pela maior fatia do PIB estadual mas cresceu apenas 0,3% no trimestre. Isso significa que o resultado positivo do PIB do Rio de Janeiro está fortemente concentrado na indústria extrativa, e não em uma recuperação ampla da atividade econômica estadual — um padrão que já vinha sendo observado em trimestres anteriores e que reforça a necessidade de diversificação da economia fluminense para reduzir a dependência do ciclo de commodities.

Ainda assim, o resultado do primeiro trimestre reforça a relevância do Rio de Janeiro no cenário energético nacional em um momento de produção recorde de petróleo no Brasil, e projeta um 2026 de crescimento acima da média histórica recente do estado, segundo a leitura da Firjan.

Rolar para cima