O Rock in Rio 2026 deve movimentar R$ 3,36 bilhões na economia do estado do Rio de Janeiro, segundo estudo divulgado pela Fundação Getulio Vargas (FGV). O número representa um crescimento de 5% em relação aos R$ 3,2 bilhões gerados pela edição de 2024 do festival, reforçando o peso do evento no calendário econômico fluminense.
A nova edição do festival acontece entre os dias 4 e 13 de setembro, no Parque Olímpico, na Barra da Tijuca, zona oeste da cidade do Rio de Janeiro. O levantamento da FGV foi apresentado como referência para dimensionar o impacto do evento sobre a cadeia produtiva do estado, que vai muito além da venda de ingressos.
Efeito multiplicador de R$ 6,59 por real investido
Um dos dados centrais do estudo é o efeito multiplicador da economia gerada pelo festival. De acordo com a FGV, cada R$ 1 investido no Rock in Rio 2026 gera R$ 6,59 em atividade econômica no estado do Rio de Janeiro. O cálculo considera os gastos diretos com a produção do evento e os efeitos indiretos que se espalham por setores como hotelaria, alimentação, transporte e comércio.
Esse tipo de multiplicador é usado por economistas para medir o alcance real de grandes eventos sobre a economia local, já que o dinheiro movimentado pelo festival circula por diferentes elos da cadeia produtiva antes de se dissipar.
Quase 34 mil postos de trabalho movimentados
O estudo da FGV também dimensiona o impacto do Rock in Rio 2026 sobre o mercado de trabalho fluminense. Ao todo, o festival deve movimentar 33,9 mil postos de trabalho no estado, divididos entre:
- 22,8 mil postos diretos, ligados à montagem da estrutura, produção, segurança, alimentação e serviços dentro do evento;
- 11,1 mil postos indiretos, gerados na cadeia de fornecedores e em setores que se beneficiam do fluxo de visitantes.
A movimentação de mão de obra é concentrada principalmente nas semanas que antecedem o festival, quando começa a montagem da estrutura no Parque Olímpico, e se estende durante os dez dias de evento.
Público de 700 mil pessoas, maioria de fora do Rio
A expectativa da organização é reunir 700 mil pessoas ao longo dos dias de festival. Desse total, a FGV estima que 60% do público virá de fora do município do Rio de Janeiro, o que inclui tanto moradores de outras cidades do estado quanto turistas de outros estados e países.
Esse perfil de público é um dos fatores que explica o tamanho do impacto econômico estimado pelo estudo. Visitantes que vêm de fora do município tendem a gastar com hospedagem, deslocamento e alimentação durante os dias em que permanecem na cidade, ampliando o efeito do evento sobre setores além do entretenimento.
Impacto vai além do Parque Olímpico
O conceito de multiplicador econômico usado pela FGV busca capturar justamente esse efeito de propagação: o dinheiro gasto na produção do festival não fica restrito à Barra da Tijuca, onde fica o Parque Olímpico. Ele se espalha por bairros e municípios vizinhos, à medida que fornecedores, prestadores de serviço e comerciantes locais são acionados para atender à demanda gerada pelo evento.
Esse tipo de efeito indireto costuma ser mais difícil de mensurar do que o gasto direto com ingressos, montagem de palco e cachês de atrações, mas é justamente ele que explica por que o retorno de R$ 6,59 para cada R$ 1 investido supera, em muito, o valor bruto movimentado apenas pela venda de ingressos do festival.
Rock in Rio como vitrine econômica do estado
Desde suas primeiras edições, o Rock in Rio se consolidou como um dos maiores eventos de música do mundo e, ao mesmo tempo, como um caso de estudo sobre o impacto econômico de grandes festivais. A comparação entre as edições de 2024 e 2026 mostra uma trajetória de crescimento tanto no volume de recursos movimentados quanto na geração de empregos, mesmo em um cenário de custos crescentes para a realização de eventos de grande porte.
Os dados da FGV devem ser usados por gestores públicos e pela iniciativa privada como referência para dimensionar investimentos futuros em infraestrutura e serviços vinculados ao calendário de grandes eventos do Rio de Janeiro, que tem no Rock in Rio um de seus principais motores de geração de renda e emprego.