
São Paulo reafirmou, nos primeiros meses de 2026, sua posição como principal motor econômico do Brasil, liderando com folga os rankings nacionais de geração de empregos formais e abertura de novas empresas. Levantamentos recentes mostram que o estado gerou mais de 215 mil vagas de emprego com carteira assinada nos cinco primeiros meses do ano, o equivalente a 28% de todo o saldo líquido de empregos criado no país no período — uma média de aproximadamente 1,5 mil novas vagas por dia útil.
O desempenho consolida uma trajetória que já vinha sendo observada desde 2023: nos últimos anos, o estado paulista acumulou a abertura de 1,9 milhão de novas empresas, número que representa quase 14% de todas as empresas abertas no Brasil no mesmo intervalo. O dado reforça o papel de São Paulo não apenas como polo industrial tradicional, mas como território de empreendedorismo em larga escala, puxado por setores que vão do comércio de serviços à tecnologia, passando pela indústria de transformação.
Indústria paulista segue como âncora da produção nacional
Apesar do crescimento acelerado do setor de serviços — que já responde por cerca de 48% de todo o volume de serviços prestados no país —, a indústria continua sendo um pilar central da economia paulista. Segundo dados da Confederação Nacional da Indústria (CNI), o Produto Interno Bruto industrial de São Paulo soma R$ 698,1 bilhões, o equivalente a quase 29% de toda a produção industrial nacional. Isso significa que praticamente três em cada dez reais gerados pela indústria brasileira têm origem em território paulista, um grau de concentração que poucos estados no mundo conseguem reproduzir dentro de uma única economia nacional.
Esse parque industrial robusto ajuda a explicar por que São Paulo também lidera com folga o comércio exterior brasileiro. Em 2025, o estado registrou 13.268 empresas exportadoras ativas, o maior número dos últimos 15 anos e equivalente a 45% de todas as empresas exportadoras do país. O dado indica não apenas concentração de grandes exportadoras, mas também um processo de internacionalização mais distribuído, com um número crescente de pequenas e médias empresas paulistas vendendo diretamente para o mercado externo.
PIB estadual cresce acima da média nacional
O conjunto desses indicadores se reflete diretamente no desempenho do Produto Interno Bruto estadual. No primeiro trimestre de 2026, a economia paulista cresceu 1,8% na comparação com o trimestre anterior, ritmo superior ao 1,1% registrado pela média nacional no mesmo período. A diferença de 0,7 ponto percentual pode parecer pequena isoladamente, mas em uma economia do porte de São Paulo — hoje a maior entre todos os estados brasileiros, com Produto Interno Bruto superior a R$ 2,9 trilhões — ela representa uma parcela expressiva do crescimento total do país.
Economistas costumam apontar que o desempenho paulista funciona como uma espécie de termômetro antecipado da economia brasileira como um todo, já que o estado concentra setores sensíveis tanto ao consumo interno quanto ao comércio exterior. Quando São Paulo acelera, é comum observar reflexos em cadeias produtivas espalhadas por outros estados, já que boa parte da indústria paulista depende de insumos e produtos intermediários vindos de outras regiões do país, assim como fornece máquinas, equipamentos e serviços especializados para empresas de fora do estado.
Geração de empregos aponta para mercado de trabalho aquecido
O ritmo de criação de vagas formais também chama atenção pelo contraste com períodos recentes de maior cautela das empresas na contratação. A manutenção de um saldo positivo relevante nos cinco primeiros meses de 2026 sugere que o mercado de trabalho paulista segue absorvendo mão de obra em um ritmo consistente, mesmo em um cenário de juros ainda elevados e de incertezas pontuais na economia global. Some-se a isso o fato de que a abertura recorde de empresas tende a ter efeito direto sobre a geração de empregos, já que negócios recém-formalizados costumam contratar à medida que se estruturam.
Para especialistas em economia regional, o desafio de São Paulo nos próximos anos será sustentar esse ritmo de crescimento diante de gargalos conhecidos, como infraestrutura de transporte, custo de vida nas regiões metropolitanas e concorrência por talentos qualificados com outros polos econômicos do país. Ainda assim, os números do início de 2026 reforçam a avaliação de que o estado segue como o principal indutor de atividade econômica do Brasil, concentrando fatias desproporcionais de empregos, empresas, indústria e comércio exterior em relação ao restante do território nacional.