
Quando se fala em agronegócio, o Brasil costuma pensar primeiro no Centro-Oeste e no Sul do país. Mas é São Paulo quem concentra a maior fatia nacional de startups voltadas ao setor: segundo o Radar Agtech Brasil, levantamento feito em parceria entre a Embrapa, a SP Ventures e a Homo Ludens, o estado paulista reúne 845 agtechs, o equivalente a 43,2% de todas as empresas do segmento no país.
O restante das agtechs brasileiras se espalha principalmente pelo Sul e pelo Sudeste: o Rio Grande do Sul vem em segundo lugar, com 9,9% do total nacional, seguido pelo Paraná (9,3%), Minas Gerais (8,6%) e Santa Catarina (6,8%). Dentro do próprio estado de São Paulo, a capital concentra o maior número de empresas, seguida por Piracicaba, Ribeirão Preto e Campinas — cidades historicamente ligadas ao agronegócio e à pesquisa agrícola no estado.
Essas agtechs desenvolvem soluções tecnológicas para praticamente toda a cadeia produtiva do campo: softwares de monitoramento de lavouras, ferramentas de automação, inteligência artificial aplicada à agricultura de precisão e novos modelos de negócio voltados à comercialização e à logística agrícola. É um ecossistema que mistura tecnologia de ponta com um setor tradicionalmente visto como conservador, e que vem se mostrando cada vez mais aberto à inovação.
Parte desse avanço tem endereço certo: o governo do estado de São Paulo investiu R$ 13,5 milhões no AptaHub, um programa de capacitação, mentoria e conexão direta com o mercado voltado a empreendedores do agronegócio. A iniciativa funciona em sete polos espalhados por São Paulo, Ribeirão Preto, Campinas e Santos, desenvolvida em parceria com a Cietec, a Wylinka e a ImpactHub, e conecta empreendedores a sete institutos de pesquisa do Instituto Agronômico (Apta), acelerando o desenvolvimento de produtos e a transferência de tecnologia para o mercado.
Um exemplo prático desse tipo de inovação é a daNatureza, empresa paulista que transforma resíduos agrícolas e urbanos — como casca de café, caroço de açaí e galhos de árvore — em vasos biodegradáveis e plantáveis, substituindo embalagens plásticas tradicionais. É o tipo de solução que só existe porque há um ecossistema de pesquisa, capital e mercado funcionando junto, e que São Paulo tem conseguido estruturar de forma mais consistente do que o resto do país.
O dado reforça um ponto pouco lembrado sobre a economia paulista: o estado não é só o centro financeiro do país, simbolizado pela Faria Lima, nem apenas o polo industrial tradicional do Sudeste. São Paulo também vem se firmando como plataforma de inovação, capital e influência para o agronegócio brasileiro — um setor que segue sendo um dos maiores geradores de divisas para o país.
Com o agronegócio brasileiro batendo recordes de exportação em diferentes frentes ao longo de 2026, a aposta de São Paulo em tecnologia aplicada ao campo tende a ganhar ainda mais espaço nos próximos anos, à medida que produtores rurais buscam eficiência e redução de custos em um cenário de margens cada vez mais apertadas.