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Copom corta a Selic e taxa recua para 14% ao ano

Painel de cotações do mercado financeiro brasileiro
Foto: Reprodução/O Tempo

O Comitê de Política Monetária do Banco Central (Copom) decidiu, nesta quarta-feira (5), cortar a taxa Selic em 0,25 ponto percentual, levando os juros básicos da economia brasileira de 14,25% para 14% ao ano. É o quarto corte consecutivo do ciclo, iniciado em março de 2026, quando a Selic saiu de 15% para 14,75% ao ano — um movimento gradual que o mercado já vinha precificando havia dias.

O corte veio em um dia de cautela nos mercados. O Ibovespa fechou a sessão de quarta com leve queda de 0,09%, aos 177.726 pontos, enquanto o dólar recuou 0,06%, cotado a R$ 5,12. Os investidores passaram boa parte do pregão em compasso de espera pela decisão do Copom, o que ajuda a explicar a movimentação discreta dos principais indicadores ao longo do dia.

Entre as ações que se destacaram na sessão, o Itaú Unibanco subiu 0,67% e a Gerdau avançou 1,70%, enquanto a Petrobras recuou 1,34%, pressionada pelo cenário de petróleo mais fraco no mercado internacional. Segundo analistas ouvidos pela imprensa econômica, já havia certo desconforto entre investidores em relação a uma comunicação anterior do Banco Central, interpretada por parte do mercado como um sinal de que os cortes de juros poderiam continuar mesmo em um cenário ainda desafiador para a inflação.

Por isso, a comunicação divulgada pelo comitê após a decisão foi acompanhada com atenção redobrada pelo mercado. O texto costuma trazer pistas sobre o ritmo dos próximos movimentos de política monetária, e qualquer sinalização de corte mais acelerado — ou, ao contrário, de pausa no ciclo — tende a mexer com as expectativas de juros, câmbio e investimento para o restante do ano.

Um ciclo de corte de juros, mesmo que gradual, tende a impactar diretamente o custo do crédito para empresas e famílias, além de influenciar decisões de investimento em renda fixa e variável. Juros mais baixos costumam favorecer setores mais sensíveis ao crédito, como construção civil, varejo e bens duráveis, enquanto podem pressionar o apetite por títulos públicos atrelados à Selic, que perdem um pouco de atratividade em relação a outras aplicações.

O movimento do Copom também precisa ser lido em conjunto com o cenário fiscal e com as expectativas de inflação para o restante de 2026. Cortes de juros em um ambiente de inflação ainda sob monitoramento tendem a ser vistos com mais cautela pelo mercado do que reduções feitas em um cenário de preços já claramente sob controle — daí o peso dado à comunicação do comitê logo após o anúncio.

Para os próximos meses, o mercado deve seguir monitorando de perto os próximos indicadores de inflação e atividade econômica para tentar antecipar se o Banco Central vai manter o ritmo de cortes, acelerar o ciclo ou voltar a pausar a queda dos juros — uma decisão que impacta diretamente o custo de vida e o ambiente de negócios no Brasil pelo restante do ano.

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